* Nome?
Sandro, mas assino SLCoelho.

* Idade?
35 anos bem vividos.

* Situação amorosa?
Amando há 10 anos uma menina linda: Sheila.

* Meu humor?
Sou uma pessoa temperamental, porém, sou justo; só atravesso a rua se estiver com a razão!

* Línguas que conheço?
Português, mas arranho um pouco o espanhol e inglês.

* Coisas que gosto?
Cinema, música, futebol, livros...






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- 30/11/2008 a 06/12/2008
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Cláudio Márcio Lopes

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Estação das Perdas

Há horas em nossa vida que somos tomados por uma enorme
sensação de inutilidade, de vazio.
Questionamos o porquê de nossa existência e nada parece fazer sentido.
Concentramos nossa atenção no lado mais cruel da vida,
aquele que é implacável e a todos afeta indistintamente:
As perdas do ser humano.

Ao nascer, perdemos o aconchego, a segurança e a proteção do útero.
Estamos, a partir de então, por nossa conta. Sozinhos.
Começamos a vida em perda e nela continuamos.
Paradoxalmente, no momento em que perdemos algo, outras
possibilidades nos surgem.
Ao perdermos o aconchego do útero,
ganhamos os braços do mundo.
Ele nos acolhe: nos encanta e nos assusta,
nos eleva e nos destrói.

E continuamos a perder e seguimos a ganhar.
Perdemos primeiro a inocência da infância.
A confiança absoluta na mão que segura nossa mão, a coragem
de andar na bicicleta sem rodinhas porque alguém ao nosso lado
nos assegura que não nos deixará cair...
E ao perdê-la, adquirimos a capacidade de questionar.
Por que? Perguntamos a todos e de tudo.
Abrimos portas para um novo mundo e fechamos janelas,
irremediavelmente deixadas para trás.

Estamos crescendo.
Nascer, crescer, adolescer, amadurecer,
envelhecer, morrer.

Vamos perdendo aos poucos alguns
direitos e conquistando outros.
Perdemos o direito de poder chorar bem alto, aos gritos mesmo,
quando algo nos é tomado contra a vontade.
Perdemos o direito de dizer absolutamente
tudo que nos passa pela cabeça sem medo de causar melindres.
Assim, se nossa tia às vezes nos parece gorda
tememos dizer-lhe isso.

Receamos dar risadas escandalosamente da
bermuda ridícula do vizinho ou puxar as
pelanquinhas do braço da vó com a
maior naturalidade do mundo e ainda
falar bem alto sobre o assunto.
Estamos crescidos e nos ensinam que não
devemos ser tão sinceros. E aprendemos.

E vamos adolescendo
ganhamos peso, ganhamos seios,
ganhamos pelos, ganhamos altura,
ganhamos o mundo.
Neste ponto, vivemos em grande conflito.
O mundo todo nos parece inadequado aos nossos sonhos,ah ! os sonhos!!!
Ganhamos muitos sonhos.
Sonhamos dormindo, sonhamos acordados,
sonhamos o tempo todo.

Aí, de repente, caímos na real!
Estamos amadurecendo, todos nos admiram.
Tornamo-nos equilibrados, contidos, ponderados.
Perdemos a espontaneidade.
Passamos a utilizar o raciocínio, a razão acima de tudo.
Mas não é justamente essa a condição que nos coloca acima dos outros animais?
A racionalidade, a capacidade de organizar nossas ações de
modo lógico e racionalmente planejado?

E continuamos amadurecendo ganhamos um carro novo,
um companheiro, ganhamos um diploma.
E desgraçadamente perdemos o direito de gargalhar, de andar descalço,
tomar banho de chuva, lamber os dedos e soltar pum sem querer.
Mas perdemos peso !!!
Já não pulamos mais no pescoço de quem amamos e tascamos - lhe
aquele beijo estalado, mas apertamos as mãos de todos,
ganhamos novos amigos, ganhamos um bom salário, ganhamos reconhecimento,
honrarias, títulos honorários e a chave da cidade.
E assim, vamos ganhando tempo, enquanto envelhecemos.

De repente percebemos que ganhamos algumas rugas, algumas dores nas costas
(ou nas pernas), ganhamos celulite, estrias, ganhamos peso e perdemos cabelos.
Nos damos conta que perdemos também o brilho no olhar, esquecemos os nossos sonhos,
deixamos de sorrir, perdemos a esperança.
Estamos envelhecendo.

Não podemos deixar pra fazer algo quando estivermos morrendo. Afinal,
quem nos garante que haverá mesmo um renascer, exceto aquele que se faz em vida,
pelo perdão a si próprio, pelo compreender que as perdas fazem parte, mas que apesar delas, o sol continua brilhando e felizmente chove de vez em quando, que a primavera sempre chega após o inverno, que necessita do outono que o antecede.

Que a gente cresça e não envelheça simplesmente.
Que tenhamos dores nas costas e alguém que as massageie.
Que tenhamos rugas e boas lembranças.
Que tenhamos juízo mas mantenhamos o bom humor e um pouco de ousadia.
Que sejamos racionais, mas lutemos por nossos sonhos. E, principalmente, que não digamos apenas eu te amo, mas ajamos de modo que aqueles a quem amamos,
sintam-se amados mais do que saibam-se amados.

Afinal, o que é o tempo?
Não é nada em relação a nossa grande missão.
E que missão!
Fique em Paz!

Autoria: Aila Magalhães



- Postado por: SLCoelho às 13h08
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